Você sabe o que é Terapia Metacognitiva (TMC)? É uma abordagem cognitivo-comportamental, que faz parte da psicologia. Foi criada por Adrian Wells (psicólogo) no início dos anos de 1990.
Essa abordagem tem sido aplicável em adultos que tem ansiedade e depressão, a ideia básica é de que as interpretações que as pessoas fazem sobre as suas cognições influenciam muito no surgimento e manutenção dos transtornos mentais. Sendo assim, é muito importante que cada paciente consiga identificar seus processos cognitivos para poder entender o que pensa sobre eles, com isso monitorando tais processos.
O Modelo da Função Executiva Autorregulatória
Você sabia que? As funções executivas são um conjunto de processos cognitivos que dão suporte à regulação dos pensamentos, emoções e comportamentos? Pois é, elas nos ajudam a atingir metas em nossa vida diária, seja controlando nossa ansiedade, planejando uma viagem ou realizando várias atividades ao mesmo tempo. O baixo nível de funções executivas na infância é um indicador de um baixo nível de funções executivas décadas mais tarde!
O Modelo da Função Executiva Autorregulatoria aponta que nossa mente funciona de duas formas: Quando a pessoa pensa de forma intuitiva, precisa de mais tempo para chegar a uma conclusão e quando pensa de forma automática esses pensamentos são mais rápidos, ou seja, a pessoa chega com mais facilidade a uma conclusão do problema.
Personalização da Preocupação e Ruminação
A “preocupação” e a “ruminação” são dois processos cognitivos que costumam aparecer nos modelos de metacognição. O nível de atenção que a pessoa tem com esses processos faz com que ela entre em um movimento preservativo, chamado de “Síndrome Cognitivo-Atencional (SCA)” e quando essa síndrome ocorre as experiências de ansiedade e depressão aumentam. Quando trabalhado com crianças, o terapeuta muitas vezes utiliza recursos para manter o foco da criança sendo eles, mais ativos, como jogos e brincadeiras representando os processos cognitivos.
A personalização da preocupação para crianças denomina-se como “Preocupanda”, esta é uma personagem (uma ursa panda) que se preocupa demais com os problemas. Essa ideia mostra que todas as pessoas tem uma Preocupanda vivendo em si mesmo, em alguns casos ela pode ser mais tranquila e em outros extremamente ativas. A ideia deste modelo é ensinar as crianças a identificar a SCA por meio da Preocupanda.
Já a Ruminação é uma resposta às dificuldades que encontramos no dia-a-dia, pode ser uma solução ruminada para algum problema apresentado. A ruminação é algo bem rotineiro, quer ver? Quando discutimos com um amigo por um brinquedo e acabamos brigando, e então ruminamos o episódio e percebemos que talvez brigar pelo brinquedo não tenha sido a melhor escolha. E a partir da ruminação que percebemos tal acontecimento.
Esse é exemplo de ruminações adaptativas, porém nem todas as ruminações são assim, existe também a personalização da ruminação, é uma personagem, uma boneca que é ativada quando nos encontramos tristes, culpados ou desanimados ou por algo. Quando acordamos a personagem desperta em nós os pensamentos chicletes, ou aquela música que não sai da cabeça, então pensamos naquilo incontáveis vezes e não percebendo esse movimento. É a partir disso que podemos fazer a análise se a personagem está acordada ou não em nós e então identificar os pensamentos chicletes.
A Aplicação da Terapia Metacognitiva com Crianças
Sabendo-se que a criança não tem capacidade intelectual para lidar com suas emoções/conflitos, de maneira estratégica/lúdica o psicólogo ou transforma conceitos difíceis de entender, em processos de aprendizagem mais acessível para criança (de 5 a 11 anos).
Os processos do tratamento vão se dar em 5 fases:
FASE 1 – PSICOEDUCAÇÃO OU APRENDENDO A APREENDER: Deve ser feita tanto com as crianças quanto com os pais; após a criança ter entendido à ideia do que é preocupação e do que é ruminação.
FASE 2 – DESENVOLVIMENTO DE DIALOGOS: Com um “cenário” montado, deve o terapeuta se utilizar de cartões lúdicos com frases já montadas a respeito do que a criança já relatou; seus conflitos. Pode também usar emojis como forma de identificar as emoções.
FASE 3 – RECONHECIMENTO DOS PENSAMENTOS SIRENE E CHICLETE: Para facilitar a identificação dos pensamentos, deve o terapeuta sugerir a criança denominações como: “Pensamento Sirene”, “Pensamento Chiclete”.
Sirene representando o alerta. Chiclete representando o ato repetitivo, “mastigação”.
FASE 4 – REGISTRO DAS ATIVIDADES: O Registro das Atividades tem como objetivo catalogar o momento em que os pensamentos são ativados é possível também acrescentar ao folheto/cartaz uma coluna de “opinião”.
- Essa etapa diz respeito à intervenção. O que a criança concorda ou não.
Durante o processo clinico o terapeuta deve exemplificar esses conceitos e abstrações trazendo diálogos ou exemplos do cotidiano da criança.
FASE 5 – APRENDENDO A CONVIVER COM OS PERSONAGENS: A ideia é mostrar para a criança que é possível conviver com os personagens da Preocupação ou Ruminação, mesmo que eles sejam chatos, eles também podem ser saudáveis e bons.
Vocês pais, o que podem fazer para ajudar?
Para uma maior eficiência da terapia, a participação dos responsáveis pela criança (pais ou cuidadores) é muito importante! Isso porque você como pai tem a função de companheiros e encorajadores, podendo ajudar seus filhos a colocarem as atividades e estratégias aprendidas em terapia no seu dia a dia de forma prática para auxiliar a criança na identificação e avaliação desses pensamentos e se eles podem ou estão atrapalhando.
Intervenção Utilizando o RCM (Registro de Metacognição para Crianças)
Você que é pai/mãe, e notou que seu filho(a) está com muitas dificuldades na escola, em casa, para brincar ou dormir, com pensamentos contínuos e exagerados? Você pode fazer o preenchimento do RCM, onde a partir dele a criança irá verificar e entender melhor seus pensamentos e suas percepções sobre aquela determinada situação que está sofrendo.
Siga o passo a passo abaixo:
1º Situação: Primeiro pergunte o que faz ela pensar tanto sobre o que está acontecendo.
2º Cognição/Percepção da situação: Faça a criança descrever o que ela percebe dessa situação
3º Sentimento: Pergunte a criança o que ela sente quando pensa essas coisas
4º Crença metacognitiva (interpretação do próprio pensamento): Pergunte pra criança o que ela acha desses pensamentos.
Em um segundo momento faça perguntas para a criança sobre o que ela acha desses pensamentos, se ela acha que são verdadeiros, perguntando também se não existe uma maneira melhor de pensar, evitando que se torne algo ruim. Com isso, a criança começará a ter uma nova visão sobre seus pensamentos, fazendo com os mesmos se tornem algo mais positivo. Caso isso não funcione, PROCURE UM PSICÓLOGO.
Participantes: 4ºB NOITE – AMANDA, BRUNA, GREISY, ISABELA, JULIANA COUTINHO, LUCKAS E MARIANE, KAUANY BORGES.
Referência: Pontes Hirata, H. and Alves Gabriel, S. (2017). ProCognitiva programa de atualização em terapia cognitivo-comportamental. 3rd ed. Porto Alegre: Artmed Paranamericana, pp.9 a 37.